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Sobre lie caseiro
Lie Caseiro entende a arte como experiências: Um Percurso entre a Educação, a Reciclagem e a Expressão Trágica
A criação artística é um fluxo contínuo, onde cada obra se inscreve como um vestígio do ser e um prenúncio do que ainda virá. Sua trajetória se constrói nesse espaço entre o visível e o indizível, onde a arte se torna uma linguagem mais profunda do que a palavra, um campo onde a pintura, a instalação e a escultura falam aquilo que o discurso não alcança.
O fazer artístico não se restringe à materialidade da obra, mas se expande como potência transformadora. A tridimensionalidade foi um dos primeiros terrenos em que as formas começaram a se desenhar e a ganhar corpo – esculturas, instalações ambientais e intervenções urbanas se tornaram veículos para um diálogo mais amplo entre o espaço, o público e a própria matéria. A arte urbana e ambiental sempre estiveram presentes, ressignificando espaços e abrindo novas possibilidades de percepção. O olhar caminha entre o passado e o presente, entre o histórico e o contemporâneo, compreendendo que cada gesto é também um atravessamento do tempo.
A relação entre arte e educação se deu de maneira orgânica, pois sempre acreditou que a arte não apenas expressa, mas também ensina, transforma e amplia a consciência. Assim nasceram os projetos de arte-educação e reciclagem, que levaram a arte para além dos ateliês e das galerias, tornando-a acessível como ferramenta de autoconhecimento e evolução. Exposições como Reciclar é Preciso, Recicle Sem Limite e Reciclando a Vida com Arte emergiram desse compromisso com a arte como um instrumento de sensibilização, seja no Teatro Municipal de São Sebastião, em associações comunitárias ou na Funarte SP. Oficinas, fóruns e intervenções públicas também fortaleceram esse diálogo, como no Ponto de Cultura Morarte, no Movimento pelo Direito à Moradia, no Projeto AR com o Bloco do Beco e no Instituto Pró-Cidadania, onde diversos projetos culturais e ambientais foram desenvolvidos.
As exposições individuais e coletivas se tornaram testemunhos dessa trajetória, cada uma revelando um novo aspecto desse percurso. Do Centro Cultural Vergueiro à Casa Odisseia, do Arquivo Histórico de São Sebastião à Galeria La Gioconda no México, a arte encontrou diferentes espaços para dialogar com públicos diversos. Em eventos como a Expo Arte Contemporânea São Paulo, o Salão de Artes da Ilhabela e o Roteiro Artístico em Portugal e Espanha, a experimentação pictórica se expandiu para novas linguagens e suportes, consolidando-se em obras que percorrem tanto o campo abstrato quanto a materialidade concreta da reciclagem.
A curadoria e a coordenação de projetos também se tornaram parte desse processo, permitindo que a arte não apenas ocupasse espaços expositivos, mas interagisse com o meio ambiente e a comunidade. Curadoria e Instalações como O Bambuzal, Portas/Portais e Luvas, pra que vos quero? questionaram a relação entre a cidade e seus habitantes, propondo novas formas de convivência e percepção. No campo audiovisual, a pesquisa se desdobrou em vídeos educativos e experimentais, como Caca Cacareco Eco, Pra Onde Eu Vou e a série documental Mundo Cão, que investigou o cotidiano urbano e suas narrativas invisíveis e o doc. do subdistrito do Bixiga S.P. Gardélia e o Andarilho
A arte, para Lie, sempre foi uma inscrição do ser, uma experiência que ultrapassa a contemplação e se torna vivência. A linguagem trágica é o cerne desse processo: a arte se manifesta onde a palavra se esgota, revelando gestos, pulsões e silêncios que não podem ser ditos, apenas sentidos. Se a filosofia busca compreender, a arte busca expressar. Cada traço, cada instalação, cada intervenção carrega esse desejo de ir além da superfície, de tocar aquilo que é essencial e irreprimível.
O percurso continua. Cada novo trabalho traz em si os vestígios dos anteriores, cada exposição é um eco do que já foi e uma semente do que ainda virá. O último é sempre o primeiro. A arte não se fecha em um fim, mas se refaz em cada instante, ampliando-se como uma linguagem que abrange mais do que o olhar, mais do que o pensamento – abrange a própria existência.